Uma nova tendência vem sendo notada por advogados trabalhistas nos Estados Unidos: processar companhias pelo tempo que o computador leva para ser iniciado, processo conhecido como boot.
Segundo o site Slashdot, um artigo da publicação National Law Journal, dirigida a advogados, afirma que em 2007 diversas empresas, entre elas a AT&T, foram processadas por funcionários descontentes.
O problema em si não é o tempo que o computador demora em ser carregado, mas sim o fato de que muitas empresas começaram a utilizar relógios de ponto virtuais, que contam o período de trabalho a partir do momento em que o funcionário se conecta ao sistema.
Na matéria reproduzida no blog TaxProf, que para ser lida em sua forma original exige registro pago, especialistas comentam que a rotina de inicialização dos computadores demora entre 15 e 30 minutos, período que, se somado ao final de um contrato ou de uma simples semana, representa uma grande diferença na folha de pagamento.
Para o promotor Richard Rosenblatt, que defende empregadores, na maior parte dos casos o período de inicialização do sistema não deve contar como trabalho, já que o funcionário apenas liga o botão e sai para tomar um café, fumar ou conversar com os companheiros de trabalho.
O problema é inclusive agravado pelo fato de que por política de economia de energia os computadores precisam ser desligados ao fim do expediente. Muitos usuários sugerem, então, que as empresas deveriam colocar nas mãos do gerente a responsabilidade de ligar os computadores antes da chegada dos funcionários.
O argumento de Rosenblatt é criticado por leitores do blog, que acreditam que a partir do momento que um funcionário chega ao trabalho o período deve ser contabilizado, e afirmam que a culpa da demora em que um sistema é carregado, chegando a níveis absurdos de 15 a 30 minutos como o relatado na matéria original, é da empresa que instala pesados softwares de monitoramento nas máquinas. Alguns críticos chegam a argumentar que, se o computador demora 15 minutos para ser acionado - um número absurdo, já que o tempo de boot em computadores modernos é normalmente de 3 minutos ou menos - o fato só pode ser atribuído à má fé da empresa, que estaria fazendo isso de propósito.
Outros condenam a posição do promotor dizendo que se essa linha de pensamento fosse ampliada, programadores seriam lesados, já que muitas das rotinas automatizadas, como compilação de código ou bancos de dados, podem demorar um tempo considerável.
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